Paradoxos Pitosgas – (I)

Posted in Pessoal on Agosto 17th, 2013 by Rui Batista

Existem diversos mitos/preconceitos mais ou menos enraizados na sociedade sobre a deficiência visual. Alguns compreensíveis (mesmo que errados), outros simplesmente absurdos. No entanto, quando dois desses mitos mais absurdos se contradizem, e essa contradição é incómodo regular na minha vidinha corriqueira (e de outros), não me resta alternativa que não seja colocá-los (aos preconceitos) um contra o outro e à vista de todos. Sim, à vista. Ora vamos lá:

Nota prévia: utilizarei o vocábulo *cego* em vez de invisual (algo que não é visual?!) ou suas variantes tipo audio-invisual.

Por um lado, é lugar-comum que o ceguinho ouve melhor que os outros. Até pode ser uma premissa válida, na medida em que, a falta do sentido por onde é recebida a maior quantidade de informação – a visão – lhe permite, até por necessidade imperiosa, estar bastante mais concentrado nos restantes sentidos, em particular na audição. Dai a “ouvir melhor” ainda vai qualquer coisita: às escuras, durante a noite, acredito honestamente que toda a gente se consegue concentrar no que ouve. Todo o resto que um cego fará com base na audição, e noutros sentidos, como orientar-se, conhecer quem o rodeia, etc., é apenas uma questão de necessidade e treino. Mas vá lá, até se compreende.

Agora o outro lado, o lado absurdo. É relativamente banal as pessoas dirigirem-se a um cego aos gritos! “CUIDADO!” “CAUTELA!” “É para ali!” (enquanto apontam a direcção com o dedo, o que para um cego é… só inútil). “PARA ONDE QUER IR?” (gritando na cara da pessoa enquanto o agarra, e, pela pergunta, lhe invade a privacidadezinha). OU conversando com outras pessoas na presença do ceguinho coitadinho: “Olha, vai ali um cego, tem uma bengala” (algumas outras considerações bastante criativas). Perguntar a quem acompanha o ceguinho, num restaurante, “o que é que ele quer comer?”… E muitas mais, documentadas em cede própria.

Raios me partam! Mas o raio do cego não ouve a três quilómetros de distância? Porque é que agem como se fosse também surdo? (ou mudo, ou ser não pensante, por vezes). Alguém me explica isto? Mas mas mas?

Melhores dias virão.

Passámos dos Doutores aos empreendedores.

Posted in fascistas, Pessoal on Abril 24th, 2013 by Rui Batista

Como é prova de vida ter um canudo, a proliferação de “doutores” é patente em Portugal. Todavia, como as elites têm que permanecer isso mesmo, elites, instou-se às adaptações necessárias à diferenciação.

  1. 1. Gentes com capacidade de inovar, de empreender, os antigos *desenrascados* são empreendedores. Malta que faz alguma coisa da vida.
  1. 2. Indivíduos dotados de conversa fluente, lata e “jogo de cintura” são empreendedores. Tratam-se dos antigos “doutores” por afinidade ou patrões de alguma coisa (falida ou não).
  1. 3. Os restantes são *colaboradores*. Empregado / funcionário é de gente que trabalha num “serviço”. Camarada é comuna e colega é dar demasiada confiança. Esta malta também costuma fazer alguma coisa da vida.

Dos Activistas Traumatizados e Outras abominações Dispensáveis à Revolução dos Costumes

Posted in fascistas on Outubro 7th, 2012 by Rui Batista

Estes são tempos férteis para o activismo de qualquer ordem, e, em particular, para o activismo da ordem contra todas as outras ordens. A rebeldia é importante. A Informação não estabelecida (e não censurada) é indispensável e a web, na sua topologia não centralizada, é o meio por excelência para a disseminação dessa informação. O grave problema é que também é uma mina de ouro para as aberrações humanoides que se aproveitam do momentinho 10-minutos-de-fama para tentarem curar os seus traumas freudianos, à custa da sanidade mental alheia.

Eles são os desconhecidos que toda a gente conhece, os anónimos que escrevem crónicas assinadas nos jornais, os asserimos críticos dos media em que se pelam por aparecer, os ideólogos da ideologia nenhuma,… Em suma, pessoas com enormes défices de atenção e que, ao fazerem o que já foi feito mas a berrar, vão tendo a auto-satisfaçãozinha necessária à sobrevivência do seu querido ide. (não podemos pedir muito) E já que aqui estamos, das suas continhas bancárias.

Cá para mim, isso dos traumas de infância resolvia-se com idas recorrentes a um psicólogo competente conjugada com a prática frequente de actividade sexual saudável, baseada no amor (próprio ou não).

E por fim deixem as pessoas sem nome em paz, elas é que estão a mudar isto, ou pelo menos a tentar. E não precisam de copiar fórmulas mágicas nem de gritar aos sete ventos que são os reis do mundo que já não há.

Aos infelizes que se sentirem visados nesta pequena crónica: vai estudar, Lê uns quantos bons livros e arranja um trabalho decente, se ainda houver. Nos entretantos livra a existência alheia das tuas doideiras bem intencionadas.

Relvas, ó Relvas

Posted in fascistas, Pessoal on Julho 17th, 2012 by Rui Batista

Fascina-me, no mau sentido, a clareza da falta de pudor da suposta elite política portuguesa. Chamar elite a Miguel Relvas, ministro e cão de fila de PPC, é necessariamente hiperbólico, não obstante foi o que saiu.

Relvas — qual novo Carlos Castro do anedotário nacional — foi operário de três ou quatro patranhas que, cada uma só por si, seriam mais razão para demissão instantânia do que os corninhos de Manuel Pinho. Foi o caso das secretas, foram as pressões inadmissíveis, não éticas e legais sobre a jornalista e o jornal público, é agora o canudo comprado na lusófona, sabe-se lá o que mais relacionado com Angola e interesses do lado intereceiro das privatisações… Espero sinceramente que o caro senhor (ainda) ministro não esteja envolvido em Casas-PIas ou semelhantes.

É claro, como águinha ao sol do meio-dia, que PPC não fará rigorosamente nada por si mesmo. Das duas uma ou as duas até: PPC é um idiota chapado com um ar fofinho, ou um sacaninha incompetentezeco, igual a Relvas e espécimes similares. Há que lembrar que tanto PPC, como Relvas, e metade dos tachistas de serviço em Portugal saíram desse seminário para aspirantes a filhos da mãe que é a JSD (leia-se Jovenzinhos saudosos d’antigamente). Portas e a amiga passam pela chuva, ora pois então.

Porque isto é um blog pessoal, e empregador que não me contrate por ler isto não será mesmo meu empregador, fica aqui uma consideração final (e desajustada como tantas outras) sobre este pseduo-liberalismo, que serve de base ideológica ao PSD e partidos da situação: “ideologismos” a mais ou a menos, julgo que vivemos numa anarquia exclusiva para filhos da meretriz que os deu à luz, com mil desculpas pela desqualificação desnecessária das progenitoras dos visados.

Merda, que isto está tudo uma grande merda, e estou farto de usar paninhos quentes.

Soluções e Valium 10

Posted in fascistas on Março 23rd, 2012 by Rui Batista

Cristo, quando pregado na cruz, deve-se ter esvaído e desvalido durante horas intermináveis.
Mais chicotada menos chicotada, a democracia em Portugal passa pelo mesmo martírio: lento e devorador, sóbrio e mobilizador de vontades.
Após mais uma carga policial ainda mais estúpida que as anteriores continua-se – mais até nas classes informadas – a defender o desdém pelos mais elementares direitos à greve e ao protesto, e a isultar o “sacrifício” pelo bem comum futuro – qual revolução cultural ao contrário – que nos leva pelo caminho da inevitabilidade. Este é o caminho da Grécia, da invasão sem armas (de guerra) e da total submissão aos interesses dum punhado de criminosos.

Perguntaram-me, hoje, por ideias, por soluções, por alternativas à greve, que, não resulta – admita-se! – por já não ser um direito universal, mesmo que consagrado. Seguem algumas, que não serão, por certo, para encher as estatísticas do portal das ideias (que nem vou linkar):

* Renegociar prazos de pagamento da dívida externa. Estes prazos e estes juros são insustentáveis, plain-old math. Caso impossível, não as pagar. Portugal ainda é um país.
* Criminalizar a gestão danosa em todas as esferas do estado. Seguir o bom exemplo da Islândia. acabar com conceitos como a imunidade parlamentar.
* Demitir todos os membros deste governo com relações com grandes interesses corporativos, principalmente estrangeiros, em particular Angolanos e Chineses. Nada contra os povos de cada país, porém a pouca democracia que temos ainda me permite afirmar que o dinheiro desses dois países é sujo, e nunca aplicado em favor dos seus povos. Provavelmente convocar novas eleições.
* Impedir, por todos os meios, pacíficos ou não, a destruição – em andamento – do serviço nacional de saúde, entre outros serviços indispensavelmente públicos.
* Agradecia-se aos militares e polícias com uma réstia de sanidade que, caso necessária tomem as medidas conducentes ao cumprimento da sua honrosa função: defender os cidadãos portugueses e o estado português de qualquer amiaça externa ou interna.

E sim, foi um discurso bonito, muito utópico e surreal. Vou tentar resumir e clarificar: os cerca de 9 meses de governação desta mistura fina de queques, incompetentes e tecnocratas metem-me nojo. São “cócó XiXi”. Até o D. Sebastião de Paris… Até esse.

Agora Valium 10.

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O Portal do “Governo” e os Nomes dos bois

Posted in fascistas on Janeiro 18th, 2012 by Rui Batista

Caros leitores imaginários: apresento-vos o Portal do “Governo”!!!!.

Além da já manifesta falta de acessibilidade – não pode! – fica aqui o meu desagrado com o tonzinho social-web-1999 da coisa. Claro que me foi difícil apreender o conteúdo do dito sítio, graças à sua famosa acessibilidade. Todavia o toque propagandista já habitual deste “governo” (empreendedor/apocalíptico – depende do intuito) está lá todinho. Não tem nada a ver mas vou agora à Wikipedia pesquisar sobre este senhor

E por falar no “governo”, e mais uma vez não tendo nada que ver, no tempo em que se chamavam os bois pelos nomes a isto do “acordo” chamava-se de corporativismo.

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Se eu fosse uma besta insensível

Posted in poesia on Setembro 2nd, 2011 by Rui Batista

Se eu fosse uma besta insensível
Diria hoje que gostava de ti.
Assim gostar, só não como quem quer perto
Aquelas coisas mornas que julga certo,
É gostar como quem te quer já, aqui.

E se eu fosse um vilão temível
Tu largavas tudo e virias agora.
Eu nada tenho além dessa virtude,
Comprada com decisões e incompletude;
Mas tu virias, num curro pio de vem-te embora.

Nem mártir, nem besta, nem vilão,
Sou o que me lembro de acreditar ser
Mais o que me lembro de querer ser.
E tu, do outro lado do avião,
Voas o dia-a-dia sem a mínima noção
Que passo as todas noites a me arrepender.

Rui Batista
02/09/2011 01:55:29

Tributo

Posted in Pessoal on Agosto 30th, 2011 by Rui Batista

Vou processar deus

A Revelação

Posted in poesia on Agosto 11th, 2011 by Rui Batista

É que um dia acordas e percebes que os livros que leste estavam todos errados.
E que os poemas de amor que fizeste são quase todos ocos.
E que as birras e pontapés e desejos loucos
Deixam de ser sinal de personalidade, passando a desvarios mimados.

Os homens fazem-se de THC, os Meninos moldam-se com sal.
As mulheres não sei. Não vou dizer. As mulheres não vou dizer.
Mesmo que não tenha tudo nem nada a perder,
Não vou dizer nada porque há sempre alguém que leva tudo a mal.

Um dia acordas e percebes que és tu, mas só tu.
És tu, e, e mas, só tu.
Não voltarás a dormir sozinho.

Rui Batista
11/08/2011 01:48:47

É Bastante Possível, sim.

Posted in Pessoal on Agosto 1st, 2011 by Rui Batista

- Estás diferente.
- Sim, dizem que sim.
- a vida muda as pessoas…
- Não, a morte é que muda as pessoas. Depois de ressuscitarem a morte muda mesmo as pessoas.
- Isso é estúpido.
- É bastante possível, sim.